Baabi ternura
' Somos de uma geração que já rompeu barreiras, nós tivemos que nos criar... '
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terça-feira, 27 de dezembro de 2011
“Podias ter-me dito que ias sair da minha vida. A paixão é mesmo isto, nunca
sabemos quando acaba ou se transforma em amor, e eu sabia que a tua paixão não
iria resistir à erosão do tempo, ao frio dos dias, ao vazio da cama, ao silêncio
da distância. Há um tempo para acreditar, um tempo para viver e um tempo para
desistir, e nós tivemos muita sorte porque vivemos todos esses tempos no modo
certo. Podias ter-me dito que querias conjugar o verbo desistir. Demorei muito
tempo a aceitar que, às vezes, desistir é o mesmo que vencer, sem travar
batalhas. Antigamente pensava que não, que quem desiste perde sempre, que a
subtracção é a arma mais cobarde dos amantes, e o silêncio a forma mais injusta
de deixar fenecer os sonhos. Mas a vida ensinou-me o contrário. Hoje sei que
desistir é apenas um caminho possível, às vezes o único que os homens conhecem.
Contigo aprendi que o amor é uma força misteriosa e divina. Sei que também
aprendeste muito comigo, mais do que imaginas e do que agora consegues alcançar.
Só o tempo te vai dar tudo o que de mim guardaste, esse tempo que é uma caixa
que se abre ao contrário: de um lado estás tu, e do outro estou eu, a ver-te sem
te poder tocar, a abraçar-te todas as noites antes de adormeceres e a cada manhã
ao acordares. Não sei quando te voltarei a ver ou a ter notícias tuas, mas sabes
uma coisa? Já não me importo, porque guardei-te no meu coração antes de
partires. Numa noite perfeita entre tantas outras, liguei o meu coração ao teu
com um fio invisível e troquei uma parte da tua alma com a minha, enquanto
dormias.”
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